sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dinheiro e dependência química

O dependente químicos de posse do dinheiro sofre de uma dupla dependência: do consumo social e da própria dependência química/psicológica das drogas.

Dizia Erck Froom que o homem viveu 2 revoluções industriais. Na primeira houve a substituição da energia animal pela mecânica, do vapor, do petróleo pela eletricidade. Na segunda, o pensamento humano esta sendo substituído pelas maquinas, pela automação. O homem tem se tornado simplesmente um ser que consome. Froom, ainda aponta que o homem não é mais o núcleo do mundo, tudo gira em torno do consumo que este proporciona. Por este motivo, o homem sofre de uma ansiedade consciente, perdeu sua posição de centro do mundo, houve uma profunda transformação moral que lhe arrancou as bases de segurança até então fixas como a religião. A essa ansiedade, a maioria das pessoas vivem de forma passiva. Para citar o que esta se tornando essa força de consumo na sociedade atual, Froom cita o seguinte exemplo: “uma pessoa que não comprar um automóvel novo a cada 3 anos é uma pessoa rara, e dentro de alguns anos se dirá que é muito pouco patriota porque causa danos a economia”.
Froom, não diz que o consumo seja mal, sua critica se refere a atitude inerente do consumo de hoje, a atitude do consumidor que é a de um homem ansioso, com uma obsessão por consumir. Tudo no mundo se transforma em artigo de consumo: cigarros, bebidas, sexualidade, televisão, conferencia, livros etc. O homem está se convertendo em um homo consumens, um homem que tem somente uma paixão, a de consumir mais e mais. Froom, aponta ainda outra possibilidade para a sociedade ansiosa, o refúgio no álcool e nas drogas.
Entretanto, sem pretender entrar nos pormenores que envolvem o inicio de uma dependência, é preciso considerar que além dessa influência social para o consumismo que por si caracteriza status e poder, o dependente de álcool ou drogas passa a ter outros níveis de influencias específicas, como a dependência desenvolvida em um nível fisiológico, psicológico.
Porém, a experiência do cotidiano e as próprias pesquisas cientificas atuais confirmam: um dependente , em sua fase critica, não consegue controlar sua vontade de uso das substâncias que lhe causam dependência. Neste sentido, ele usa de todos os meios possíveis para ter seu objeto de consumo, a droga ou a bebida. Para tal fim ele realiza, dependendo de sua condição social de compra, furtos, roubos ou outras desonestidades. Deste modo, quando este individuo está de posse de alguma quantia em dinheiro, ou algo que o represente, estamos diante de um problema de dimensões complexas. Isso porque este dependente agora, está de posse daquilo que represente o poder da atual sociedade, o dinheiro.
O dependente, em posse do poder, do dinheiro, além da dependência psíquica e fisiológica que a droga provoca possui também um impulso e uma necessidade natural de consumir, de gastar, que é próprio de nossa sociedade. O problema particular de sua situação é, que neste caso, essa força de consumo e de compra canaliza-se completamente em direção as drogas. Este consumismo, transforma o imoral em moral, o racional em racional, o feio em belo. Determina isso quem tem o poder.
Deste modo, temos a influencia de 3 aspectos diferentes e interligados no problema da manutenção de dependência: o fisiológico, o psicológico e o social. Em outras palavras, essa necessidade de consumo, partindo do pensamento de Erick Froom, exerce grande influencia também em um dependente químico que já sofre de outras dependências.
Assim ,se faz necessário olharmos com o devido cuidado para a forma como este individuo que sofre com a dependência compreende e lida com estes aspectos que estão presentes na sociedade que ele está inserido. Isso porque Erick Froom identifica que um dos riscos e perigos do homem do futuro está em que os homens se convertam em robôs e maquinas, e as maquinas não se rebelam.
Se quisermos favorecer para que o homem encontre ou ao menos busque a liberdade, se faz necessário contribuir para que ele tenha a capacidade de compreender que a única esperança de uma sociedade, não pode ser a de ganhar mais dinheiro, que é o mesmo que consumir mais. A compreensão deste sistema que a cada dia mais o desumaniza é um fator de fundamental importância para que o consumismo possa ter uma influencia cada vez menos decisiva na manutenção da dependência.

Adriano Oliveira