sexta-feira, 17 de julho de 2009

Recuperação e dependência química

Quase sempre quando nos perguntamos o porque uma pessoa torna-se um toxicodependente a resposta é norteada sempre por fatores que beiram o risco social, a atitude e vivência familiar, hereditariedade, influencia dos amigos, cultura , curiosidade entre outros. Tais motivos justificam-se principalmente quando analisamos a atual realidade social da juventude brasileira.
Entretanto, Elisabeth Lukas traz em seu livro Mentalização e Saúde, um dado referente a Alemanha datado de 1990 de mais de 3,4 milhões de pessoa que são tão dependentes do álcool que necessitariam de um tratamento que talvez nos seja cabível a alguma discussão. Dizia ela:

“ é justamente numa época de bem-estar social e econômico, quando o nível de frustração deveria ser mais baixo do que nunca, que o abuso de drogas e medicamentos elevou-se drasticamente,e a idade de iniciação do consumo de álcool e nicotina deslocou-se para a infância. Conclui-se assim que também não se consegue a estabilidade psíquica através de condições satisfatórias de vida”.

É claro que os fatores sociais tornam-se de certa forma um fator de risco a dependência toxiconomica como de outros diversos problema de nossa sociedade. Mas de que forma estamos trabalhando os fatores de proteção? Entre esses fatores, a logoterapia demonstra aquele que seria o fator principal: a busca de sentido da própria existência.
O que o ser humano quer em ultima análise não é a felicidade em si, mas um motivo para ser feliz, dizia Frankl. Um motivo que favoreça ao ser humano sair de si mesmo, transcender. Sem essa transcendência pode acontecer de, criar-se um vinculo de “egoísmo próprio” onde a capacidade de relação com o outro será quase nula. Para essa busca de sentido é preciso resgatar neste dependente a vontade.
Na recuperação, certamente há de se encontrar tantos fatores de riscos quanto fatores protetores. Terá maior força e eficácia para a recuperação aquele para o qual se dirigir a vontade de quem se recupera. Contudo, a vontade por encontrar um sentido para a própria vida é ainda um fator que supera qualquer outro aspecto por ser uma característica inerentemente humana. Deste modo, pode-se continuar enumerando os fatores que são problemáticos a manutenção da dependência, ou , pode-se buscar o encontro com o sentido da própria vida, que não elimina os fatores de risco, mas certamente favorece a transcendê-los.

Adriano Oliveira