sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Música, sempre música

A música que brota de um coração é plenamente capaz de atingir o coração do outro।
A música que nasce de uma experiência consegue certamente acrescentar algo a experiência do outro.
A musica composta entre lágrimas, tem sem dúvidas a capacidade de consolar.
A música que expressa alegria, tem a força de levar animo aos entristecidos.
A música criada na dor pode levar a esperança.
A música nascida da solidão consegue revelar a fé.
A música que brota do luto contribui para o testemunho.
A música que testemunha as lutas de um povo nos tira do comodismo social.
A música que é poética, nos humaniza.
A música que nos humaniza nos mostra que somos irmão..
A música que traz valores nos catequiza.
A música que emerge de uma triste realidade no motiva.
A música tecida na silencio nos leva a contemplação.
A música que é fruto da oração nos conduz a paz.
A música, que é litúrgica, torna-se para nós, comunhão.


Adriano Oliveira

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O sentimentalismo

O sentimentalismo

O tema central das canções atuais parecem ser os relacionamentos amorosos. Esses temas, falam do desejo ou sonho de amor, declara esse amor ou a dor por tê-lo perdido, etc...
Observando as canções de algumas décadas atrás é notável uma distinção considerável: as músicas falavam da natureza, da vida, do cotidiano e, é claro também do amor. Contudo, os relacionamentos eram mais duradouros e, como conseqüência tínhamos canções românticas.
Mas hoje, os relacionamento estão cada vez mais relativos e os namoros atuais são vividos com uma intensidade incrível. Essa mesma intensidade vivida nos relacionamentos é repassada a música, onde as canções criam um aspecto sentimentalista, tratando de temas que revelam muitos dos aspectos vividos em uma paixão.
Muitos, tem transferido essas mesmas tendências para sua fé.
São muitos os que tem Jesus de forma “apaixonante”, ou seja, criam uma intensa aproximação com o mestre e não conseguem deixar-se amar. Como conseqüência, experimentam com o tempo o esfriamento dessa paixão, quando não, o fim. Algumas canções católicas, tem demonstrado também este excesso sentimental.
Mas, tudo isso é ruim? Eu particularmente acredito que não. Contudo, concordo em dizer que, um relacionamento maduro, precisa ser enraizado ou ter como busca principal, o amor.

Deus os abençoe

Adriano Oliveira

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Música Pentecostal

Música Pentecostal


Houve um tempo considerável onde eu julgava toda musica pentecostal como demasiadamente emotiva e exagerada. A classificava como uma música individualista e de pouco alcance evangelístico. Enfim, usava dessa mesma medida para classificar tanto a música evangélica quanto as músicas da RCC. Ambas, com características pentecostais.

Contudo, é comum durante a vida que a escassez possa nos atingir: empregos, relacionamentos, estudos etc. Essa situações aliadas a tantas outras corriqueiras que nos acontecem ao dia-a-dia levam a uma certa angústia. E a certeza confiante de que tudo vai passar vai foi aos poucos, lentamente, dando lugar a um desespero, que embora ainda confiante não é mais consolado por algumas filosofias e teologias.

Neste sentido, ao ouvir algumas canções, o coração humano pode sentir o consolo , seja pela melodia que acalenta, ou pela mensagem, que parece estar falando exatamente de tudo aquilo que se está vivenciando. De fato, minha análise pode parecer demasiadamente superficial, mas percebo que certas estrofes, letras e até mesmo melodias, começaram a ser para muitos um alento, principalmente para incentivar a vida de oração. Algumas canções nos conduz a oração.

Músicas que conosco choram e sorriem, constroem e sonham, alertam e aconselham. Sim, algumas composições parecem compreender claramente o que se esta vivendo, é muitas vezes é a oração que fica presa no mais profundo do coração.

Hoje, ainda vejo muitos lançar critica pesadas contra essa tendência musical, não os critico. Mas, faço parte do grupo daqueles que vê, na música, uma multiplicidade de linguagens que não pode ser monopolizada por apenas uma forma de falar. Que bom perceber que nossa música católica pode falar ao pobre, ao marginalizado, pode falar ao político e lhe cobrar providências, pode cobrar justiça social, falar e ser a voz do que não tem casa, que não tem terra e nem emprego. Pode falar também aquele que deseja ter uma experiência com o Espírito Divino, com os anjos, com Nossa Senhora. E, pode falar também, com aquele que se encontra na tristeza, no desespero, na dor e na agonia. Que bom saber, que nossa música, fala através de tantas formas a todos os filhos de Deus.


Deus os abençoe
Adriano Oliveira

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A música potencializa a palavra

A música potencializa a palavra

A presente obra fornece subsídios para auxiliar a análise e re-
flexão dos diversos tipos de músicas presentes na Igreja Católica.
É inovadora, pois além da formação do músico, aborda os estilos
de composição e os processos de identificação que fazem com que
a música seja expressão do coração de um povo que necessita de
cadenciar a voz para expressar seus sentimentos.
A música potencializa a palavra, faz com que todas as energias
do corpo se direcionem ao que se canta, por isso, o cantar faz com
que o sentir, o pensar e o agir estejam integrados. Em uma ótica
espiritual, a música é um dom de Deus, cada músico, cada cantor,
se torna pleno quando desenvolve as potencialidades que foram
concedidas pelo Criador.
São Paulo diz: “trazemos um tesouro em vasos de barro” (2Cor
4,5). O tesouro está dentro de um vaso um frágil, vulnerável, que é
o coração humano. A fragilidade é o que torna o coração do homem
14 15 nos caminhos V3 18/03/08
um mistério, pois pode ser moldado, modificado e por isso é imprevisível.
Mas algo que é frágil necessita de cuidados, caso contrário
pode ser danificado ou quebrado. O tesouro é Deus que
habita cada ser, e se doa gratuitamente. A música está no vaso e no
tesouro, é um dos meios de comunicação entre os dois e uma das
formas de cuidado com o vaso e com o tesouro.
Ela pode ajudar a amolecer o barro para que possa ser moldado.
Um barro duro, não permite modificações, não pode ser diferente,
qualquer tentativa de moldá-lo pode quebrá-lo. O canto e os
instrumentos são capazes de fazer com que o tesouro e o barro se
misturem, é um mecanismo que facilita a comunicação, ela torna
a palavra suave e agradável, o homem canta a Deus e Deus canta
ao homem.
Por isso, a música também deve ser cuidada, para que possa desvelar
(tirar o véu) o coração do homem e o coração de Deus. A
sensibilidade do autor ajuda-nos a atentar para alguns aspectos importantes
do cuidado com a música, principalmente no que se refere
à qualidade da comunicação. Ele faz uma análise técnica e mística.
O título é instigante e convidativo. Não existe apenas um caminho,
mas vários caminhos para transmitir ou ouvir as mensagens
contidas nas músicas católicas.
Cada ser herdou uma característica peculiar, não somos iguais
e só podemos ser completos se aceitarmos as diferenças dos outros.
As diferenças aparecem nas tradições de família, lugares, estados,
países e continentes. Então, qual caminho percorrer através da
música?
De acordo com a experiência vivida pelo autor, existem classifi-
cações para os estilos de composição musical conforme o público a
ser atingido. Cada uma tem a sua beleza e característica própria. O
contexto cultural é importante e deve ser considerado. Qualquer
atitude de pré-conceito pode fazer com que se perda a essência e se
fixe nas diferenças como erros. É importante ver uma outra possibilidade
e buscar a unidade em meio à diversidade.
Os conceitos aqui expostos são uma proposta de reflexão, o importante
como diz o autor é refletir sobre o convite feito por Deus:
ser instrumento com formação, respeito e sabedoria. Você está convidado
a conhecer e a percorrer Nos caminhos da música católica.
Boa leitura!
Prefácio do Livro Nos Caminhos da Música Católica
Oswaldo Alcanfor Ramos
Psicólogo, Pesquisador e palestrista em congressos científicos e retiros एस्पिरितुईस

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Luta Imaginária




Adriano Oliveira
Autor do livro: Nos Caminhos da Música Católica
Editora: Palavra e Prece
http://www.palavraeprece.com.br/
http://www.livrarialoyola.com.br/


Chácara de Recuperação Nova Semente
Coordenadora: Iracema Rocha





Luta imaginária


Não é preciso andar muito pelos grandes centros urbano para perceber alguns dos inúmeros problemas que assombram a humanidade: pobreza, fome, criminalidade, vícios etc. A religião sempre serviu como fonte de libertação para as pessoas que muitas vezes sente-se excluídas da sociedade que muitas vez agede forma injusta. Dessa forma, se estabelece um sistema social que além de excluir a muitos, prega de maneira cada vez mais desenfreada a “normalidade” que predomina hoje em nossos jovens e famílias. É a normalidade sexual, do divórcio, do aborto, do consumismo, a musical... entre tantas outras.
Essa normalidade sugerida pela sociedade, vão em sua maioria contra os princípios cristãos, e disso os próprios Cristãos tem consciência. Contudo, os “maus” modelos de sociedade age em bloco, em massa, os cristão em contrapartida , no cada um por si, em partes. Em outras palavras, aqueles que são chamados a formarem um corpo, muitas vezes se dividem em várias partes, o que acaba sendo ineficaz contra aqueles que já aprenderam apesar de suas diferenças a lutarem por seus ideais e defenderem suas idéias.
A pergunta então seria a seguinte, contra quem os cristãos de hoje em dia estão lutando? Os primeiros cristãos lutavam simplesmente por serem reconhecidos como cristãos, ou seja, ser denominado um cristão significava estar colocando a própria vida em risco já que estes eram perseguidos e proibidos de manifestar a crença. Outros, martirizados simplesmente porque não negavam a este nome. Os cristãos porém não se intimidavam, mesmo escondidos continuavam a crescer e a se reunir em oração, como dizia Tertuliano, “o sangue dos cristãos são como sementes que brota”. Com o fim da perseguição aos cristãos pelo império romano, estes conquistaram então o direito de propagar livremente o evangelho por toda o parte, pois sabiam que desta boa nova dependia a felicidade e a libertação de muitos povos.
Vivemos em um país onde existe a liberdade religiosa, somos predominantemente um país cristão, porém parece que embora a preocupação dos cristãos atuais sejam em parte as mesmas dos primeiros, não podemos negar que o maior empecilho para o nosso crescimento não é mais o império romano, e não tão somente o governo brasileiro ou de outro país, mas principalmente, os próprios cristãos.
O número de igrejas cristãs hoje existentes no Brasil hoje são surpreendentes. Contudo, o quero focalizar não é o número de igrejas existentes e sim o modo como ambas caminham, em sua grande maioria separadas, quando não uma lutando contra a outra.
O grande problema é que cada igreja, embora tenham basicamente a mesma finalidade, discordam umas das outras em costumes, teorias, ritos e em interpretações da sagrada escritura ou teologias, ou seja, cada uma acaba criando um modo próprio de viver em uma verdade, e se opondo contra todos aqueles que se opõe a esta, ou seja, outras denominação cristã pode até mesmo ser encarada como “coisa do demônio, do inimigo”.
O pensamento de um sábio padre resume de forma precisa o que pretendo concluir, “talvez se os cristãos fossem mais unidos o mundo temeria diante dos cristãos, mas como os cristãos são tão desunidos são os cristãos que tremem diante do mundo”. Acho digno de reflexão esta frase, são tantos os motivos que temos para nos unir nos dias atuais que creio estarmos lutando na direção errada, combatendo um exército que embora não caminhe junto é aliado. E é exatamente desta forma que se organizam os países em torno de um combate, mesmo tendo suas diferenças e divergências, eles são capazes de se unir em torno de algo tão cruel como uma guerra, foi assim na atual invasão ao Iraque promovida pelos Estados Unidos e aliados, muitos destes que no passado já foram inimigos se uniram a nação americana com a finalidade de destruir seus oponentes.
Entre outros motivos para esta re-união de todos os cristãos estão temas importantíssimos para o futuro da humanidade como as atuais pesquisas de célula tronco, os alimentos transgênicos, a própria questão da clonagem humana, terrorismo, liberação do aborto e das drogas, etc. Enfim, ou começamos a lutar pelo o que verdadeiramente é necessário, a vida, ou então, corremos o risco de perdermos um imenso tempo em uma luta vã, contra nós mesmos, para não dizer, imaginária.

Adriano Oliveira

sábado, 28 de junho de 2008

SOMOS CANTORES



Adriano Oliveira
Autor do livro: Nos Caminhos da Música Católica
Editora: Palavra e Prece
Somos Cantores





Os anjos cantam...Cantam alegremente por mais uma vida que surge na Terra. A família canta de alegria pela maravilhosa criança que acaba de nascer. Os pais cantam algo para a criança, canções de ninar, canções para comer, enfim, cantam...



A criança vai crescendo, e aos poucos, começa a murmurar algumas "musiquinhas", formando momentos inesquecíveis para os pais. Com o tempo, a criança começa a aprender e a cantar canções próprias sua fase, musicas que auxiliam a brincar, divertir-se, próprias da fase da pré-escola.


Com o passar dos anos, a criança muda um pouco a tendência, e passa a cantar músicas mais ritmadas, com letras um pouco mais desenvolvidas, mas, com a mesma inocência de outrora. Tudo é música para ela, seja rock, samba, axé, forró, etc....


Vem enfim a adolescência, o repertório se transforma, o que antes era procurado agora é ignorado, e aquilo que pode ser ignorado pelos adultos são por eles procurado. A música passa a ser um código, uma referência, algo que está constantemente na vida do adolescente. Cria-se os gostos musicais, as tendências prediletas, a aproximação de grupos que tem o mesmo gosto e, a identificação com grupos e cantores, gerando assim, a criação dos conhecidos "ídolos". Nascem os fãs. Essa fase, tem influência decisiva em vários aspectos que formarão o jovem.


O jovem por sua vez, possui seu ritmo ou ritmos diferentes. Não é mais criança, não é mais adolescente. Ele ouve, ou melhor, curte a música dos jovens. Música que muitas vezes acompanha moda, tendências, pensamentos e filosofias de vida. Nasce a chamada "minha música" ou música predileta, aquela que é especial, a que marca momentos, encontros, acontecimentos. A música que lembra algo ou alguém.


Vem assim a fase adulta e com essa fase as lembranças são inevitáveis. Em alguns casos o repertório também é mudado, ou melhor, é mantido, sendo que o que pode estar mudando são as tendências musicais, o repertório que era atual passa a ser considerado pelos jovens como ultrapassado. O adulto tem suas canções mais bem classificadas, elas se ligaram a sua história de vida, e se encaixam dentro de um contexto. Cantam assim para matar a saudade, para recordar, para expressar algo. É claro, para também se divertir e entreter. O adulto, não é aquele que não aceita o que é novo, é aquele que não rejeita aquilo que é parte dele, e assim, não pode esquecer de músicas, ritmos e tendências que lhe foram tão importantes. Eu diria, que o adulto tem um repertório maior, por isso, pode fazer mais escolhas.


Assim, vem a terceira idade, a nova tendência musical nesta fase não terá o mesmo efeito. A música de outrora ocupou muitos lugares de seu coração, e por isso, são naturalmente melhores. Sempre há espaço para o novo, mas este novo pode na maioria das vezes apenas acrescentar, muito dificilmente conseguirá substituir todo aquele repertório formado durante décadas. A música aqui também diverte, entrete, mas, certamente ela rejuvenesce, transporta para longe, traz um pouco do ar de outrora, gera algo em torno da saudade, leva as origens. Este idoso canta algo, mas, que vai além de uma simples canção, ela canta sua vida, sua história, sua origem, seus momentos.


A música identifica gerações. Ela atravessa as barreiras do tempo. A música é uma máquina do tempo. Por isso, ela é tão bela, tão maravilhosa e importante.


Por fim, chegará um dia, onde ouviremos, os anjos cantando alegremente, por mais um filho de Deus, que chega ao céu.



Adriano Oliveira







A MÚSICA CATÓLICA DIZ ALGO




A música Católica diz algoA música católica diz algo. Ela revela, demonstra, ensina, consola, anima, alegra.




Não se trata apenas de um estilo musical, é antes de tudo, expressão do coração humano, ansioso de ser todo de Deus. A musicalidade católica, traz o céu ao coração humano, da mesma forma, que auxilia este coração a ir de encontro com as maravilhas celestiais.




Os anjos tocam e se alegram, cantam e encantam. Os homens tocam e se alegram, cantam e encantam. A música une os homens aos anjos.




Os músicos sempre desejam entoar uma bela melodia, entre as belas e harmoniosas canções. Aquele que for capaz de ouvir o verdadeiro canto dos anjos, jamais se conforma em ser o mesmo músico de antes. Os anjos que ouvirem o belo e harmonioso canto humano, não resistirão em harmonizar-se a ele, a escuta-lo.




A música nos leva além. Além de nós mesmo, de nossa realidade, de nossas condições. Pode nos ajudar a reflexão interior, a nos aproximaR do próximo, e também, de Deus.




Adriano Oliveira

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A Música Católica diz algo



A música Católica diz algo

A música católica diz algo. Ela revela, demonstra, ensina, consola, anima, alegra.

Não se trata apenas de um estilo musical, é antes de tudo, expressão do coração humano, ansioso de ser todo de Deus.

A musicalidade católica, traz o céu ao coração humano, da mesma forma, que auxilia este coração a ir de encontro com as maravilhas celestiais.

Os anjos tocam e se alegram, cantam e encantam. Os homens tocam e se alegram, cantam e encantam. A música une os homens aos anjos.

Os músicos sempre desejam entoar uma bela melodia, entre as belas e harmoniosas canções. Aquele que for capaz de ouvir o verdadeiro canto dos anjos, jamais se conforma em ser o mesmo músico de antes. Os anjos que ouvirem o belo e harmonioso canto humano, não resistirão em harmonizar-se a ele, a escuta-lo.

A música nos leva além. Além de nós mesmo, de nossa realidade, de nossas condições. Pode nos ajudar a reflexão interiormente, a nos aproximarmos do próximo, e também, de Deus.

Adriano Oliveira

quarta-feira, 19 de março de 2008

Música Católica

Adriano Oliveira
Autor do livro
: Nos Caminhos da Música Católica

Editora Palavra e Prece



Os padres do Deserto e a Música - Parte I

Logo no princípio da era cristã, havia alguns padres que forneceram a igreja contribuições fundamentais para uma vivência de fé madura, autêntica e considerada por muitos como radicais. São os chamados padres do deserto ou antigos padres.
Esses padres foram homens que viveram a experiência do silêncio e da solidão em pleno o deserto egípcio, do qual temos no século II, Santo Antão como um dos principais nomes, e considerado, o pai dos monges.
Eles acreditavam e viam no silêncio aspectos ainda importantes para os dias atuais, como o de que, o silêncio, é a morada da palavra, que a ela da força e fecundidade.
Mas, o que tem os padres do deserto a contribuir no campo musical já que foram homens do silêncio e da solidão? É que a musica também é formada de palavras, ela é palavra, dessa forma, pode também usufruir dos benefícios do silencio.
O primeiro aspecto que podemos usar, a fim de buscarmos cada vez mais dar a musicalidade uma fecundidade, se inicia através da experiência individual e particular de cada músico, na sua abertura completa a escuta dos anseios divinos.
O silêncio, é um lugar privilegiado para tal encontro. É um modo especial para estabelecer um encontro do criador com a sua criatura, formando assim uma unidade, comunhão. Essa experiência certamente, há de enriquecer cada individuo, frente a necessidade da missão.
Em outras palavras, podemos dizer que para falar sobre Deus, é necessário primeiramente encontra-lo. De fato, o silencio não é o único modo deste encontro acontecer, mas, acredito que seja um dos mais eficazes, por proporcionar um crescimento constante e maduro.
Dessa forma, um primeiro passo para se dar a música a fecundidade necessária, é através de uma disposição inicial do coração daqueles que se dispõem a evangelizar por este meio.

Padres do deserto e a Música - Parte II

A importância do silêncio

Santa Tereza já dizia que jamais seremos capazes de entrar nos outros, sem antes entrar em nós mesmos. O silêncio, e a própria solidão, não pode ser encarada por um músico como a ausência de barulho ou agitação, muito menos como fuga. Aprendemos com os santos padres que, entrar na solidão e silêncio do deserto significa participar do silencio divino, presente desde a criação do universo, tornando-se assim, participantes do poder criador e recriador da palavra divina.
O mundo nasce a partir da palavra divina, "que exista luz", "que exista um firmamento no meio das águas"... o próprio salvador do mundo, no início era palavra, "no inicio a palavra já existia, a palavra estava voltada para Deus, e a palavra era Deus. No começo, ela estava voltada para Deus, tudo foi feito por meio dela.... e a palavra se fez homem, e habitou no meio de nós."
A palavra habitada no silencio divino, eis a grande busca para cada músico que pretende fazer de sua musicalidade um instrumento cada vez mais fecundo. Acredito que é isso, o que realmente é preciso.
Se observarmos bem, em todo o mundo ( e principalmente no ocidente) o nome de Jesus vem sendo exaustivamente falado, até mesmo para justificar guerras, ou ações que vão contra os seus próprios ensinamentos. As igrejas falam de Jesus, milhares de igrejas dividem inúmeros pontos de vista sobre ele. O mundo, conhece Jesus, embora, não o viva.
Talvez, isso nos remeta a um problema alertado pelo Pe Nowns, de que estamos vivendo em um mundo repleto de palavras, tudo é palavra, dos mais variados tipos e com as mais diversas finalidade. Se não tomarmos o devido cuidado, corremos o risco de fazer de nossas músicas e missões, apenas palavras.
Quando uma palavra é fecunda, gera ainda mais vida naqueles que a ouvem. Podemos lembrar de Pedro falando com Jesus: " Senhor, a quem iremos, só tu tens palavras de vida"!. Os doutores da lei falavam da lei, mas falavam de uma forma teórica, daquilo que ouviam e aprendiam, Jesus falava daquilo que ardia em seu coração, falava com a sua própria vida. Suas palavras, eram verdadeiramente fecundas.


Os padres do deserto e a musica - Parte III

A fornalha da transformação


Um outro aspecto do silêncio também demonstrado pelos padres do deserto, é que, eles também o viam, como a grande fornalha da transformação.
A música sempre vai despertar algum tipo de reação, um exemplo disso é a música instrumental. Este tipo de música, parece ser muitas vezes capaz de provocar uma espécie de abertura no interior humano, as palavras que são ditas com este tipo musical de fundo, parece criar uma vida nova, uma força maior. Essa música, pode ser comparada com um adubo, que é utilizado para preparar a terra para o plantio da semente (palavra). Em outras palavras, a música pode nos permitir uma acesso rápido ao interior humano, porém, ela talvez não favoreça uma transformação, pelo menos, em um âmbito que não seja terapêutico.


A música nos leva a um campo emocional. É como se ela conseguisse ter acesso a uma caixinha até então fechada dentro do coração. Mas, pode ser que assim que passar a emoção, vai-se embora aquilo que se percebe através dela . Eu compararia a grosso modo, a musica a hipnose psicanalítica, que era usada no sentido de ter um acesso ao inconsciente dos pacientes. Contudo e com o passar do tempo, o próprio fundador da psicanálise, Sigmund Freud, desistiu de utiliza-la, por notar que o fato de ter um acesso a este inconsciente de seus paciente não lhe trazem nenhum tipo de melhora, porque a hipnose parecia driblar as barreiras dos pacientes e não as enfrentava, como era necessário para a obtenção da cura. Assim, acredito que na maioria das vezes a música, pode até driblar as resistências humanas, manifestando alegria meio em mesmo a tristeza, mas ela não consegue combate-las. Se é verdade que quem canta os males espanta, posso dizer que quem silencia a eles enfrenta, e melhor do que apenas ficar despistando uma situação é enfrenta-la de frente e com coragem, o que exige disposição e maturidade.


Quando não imposto pelos outros ou pelas experiências da vida que nos exigem tal postura, a solidão e o próprio silêncio são altamente benéficos. Não significa fugir da realidade, mas ele forma um momento oportuno para amarmos de coragem e preparamos melhor para enfrentar as situações, escutaremos melhor a nós mesmos, enxergando novos horizontes, e talvez, ouvindo a voz e cuidado de Deus que continuadamente nos fala, embora nem sempre percebemos.


Mas como aliar estes dois aspectos, música e silêncio, a fim de que esta seja uma arte ainda mais fecunda? O primeiro ponto a ser considerado é que o silêncio fecundo que os antigos padres nos ensinam não se resume a um mudismo ou ausência de palavras, mas, é a busca do silencio como estado de coração: " um homem por desta aparentemente em silencio, mas, se com seu coração condena os outros, ele tagarela sem cessar. E pode haver outro que converse de manha a noite, e contudo, esteja verdadeiramente em silencio"


Não podemos confundir pessoa silenciosa com tímida, ou extrovertida como uma pessoa que não silencia. Os antigos padres, falavam das necessidades do povo a partir do silencio divino, é uma das maiores lições que aqueles que continuadamente comunicam os valores evangélicos ao povo precisa entender.


Aquele que alcançou o silêncio como o estado do coração, saberá mesmo em meio aos maiores ruídos do mundo, falar segundo as necessidades do povo, pois saberá distinguir na aflição e anseios deste, a voz, pedido e chamado do próprio Deus. Eu compararia este estado de coração a um maestro que possui um ouvido absoluto, este, sabe distinguir mesmo em meio a numerosos instrumentos aquele que esteja desafinado.

Assim, eu diria á aqueles que desejam fazer de sua musicalidade algo ainda mais fecundo e cheio de vida: busquem o silêncio. Mesmo que nos eventos e shows que participem venham a executar um barulho ou som estrondoso, nunca deixem de buscar o silencio. E levem assim, aos eventos que participarem aquilo que encontraram neste campo silencioso.

Um abraço Fraterno

Adriano Oliveira

Autor do Livro: Nos Caminhos da Música Católica / Ed. Palavra e Prece//

adrianodefo@yahoo.com.br