quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A arvore da calçada

Hoje de manha ao levantar-me, olhei pela janela e avistei uma arvore que fica na calçada da minha casa, mas a principio eu levei um susto porque havia pouco tempo em que ela havia sido completamente podada, tinham tirado toda bela folhagem que ela possuía.

Na época recordo que fiquei chateado porque sempre achei ela uma arvore bonita e que eu vi nascer e crescer, mas segundo os funcionários da prefeitura que vieram corta-la, era necessário fazer isso, caso contrário, a arvore poderia morrer devido estar próxima de encostar nos fios da rede elétrica, e se caso ela viesse a encostar neste fio poderia provocar um acidente. Foi dessa forma que acabei assistindo a verdadeira destruição da minha arvore. Galho por galho. Restou apenas alguns galhos menores. A arvore ficou desfigurada.

Mas, o que de verdade restou nessa arvore é algo que apenas hoje fui perceber: Restou a raiz. Restou o tronco. O mais importante da arvore não foi mexido nem sequer tocado. O problema é que meu olhar estava fixo apenas nas folhas e galhos. Percebi, que não é tão fácil assim mexer na raiz de uma arvore e nem arrancar-lhe o tronco e, que as folhas e galhos que julguei tão necessários e belos, são levados até mesmo pelo vento. E hoje, para minha surpresa, ao olha-la, contemplá-la como em uma oração de Laudes, percebo que seus galhos já cresceram de novo e que sua folhagem cresceu. Nem parece a mesma arvore desfigurada de pouco tempo atrás. Ela esta bela e seus galhos ainda mais fortes que antes.


Adriano Oliveira

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ele comia na mesa comigo!

Alguns aspectos, sejam eles sentimentos ou acontecimentos, tem uma influencia fundamental na vida humana e no modo como se vive, um deles, é sem duvidas a injustiça.
Falar de injustiça é sem duvidas se remeter ao próprio Cristo.Ele que injustamente foi criticado, perseguido e crucificado. Interessante notar que, alguém levantou uma mentira contra Jesus, mas foi preciso que muitos outros acreditasse nessa mentira sem questionar. Quanto ao povo que passou acusar Jesus, não sei dizer se é menos ou mais culpado de quem montou a armadilha, mas sem duvidas, tem um certo grau de culpa por terem agido sem o minimo sentido critico. Tudo o que lhes foi proposto como motivo acusação foi motivo de ser tomado como verdade.

A injustiça representa sempre a negação da verdade e o reino da mentira. Aquele que acusa sempre sai na frente, humanamente falando, do que aquele que é acusado. POrém, é justamente neste ponto que reside a justiça divina.
A justiça divina nunca é apressanda e infundada. Ela é plena, acalma a alma, plenifica o ser e restaura as forças. É uma forma de justiça que nunca deixa de acontecer mas que não pode se colocar a serviço de nossa limitada interpretação. Por isso, se algum dia você sentir-se injustiçado, espelhe-se no exemplo de Jesus e logo verá a melhor forma de agir diante dessa complicada situação.

Adriano Oliveira

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Carta Aberta sobre o Caso AMA - Associação Maria Auxiliadora

Eu sempre busquei ter entre aqueles que comigo convivem um relacionamento claro e direto. Prezo muito pela oportunidade de dialogo e creio que tenho como uma virtude a capacidade de conviver de forma pacifica junto ao que me é diferente ou que não pensam do mesmo modo e forma. Entretanto, diante dos últimos acontecimentos e possíveis acusações que meu nome parece estar envolvido, não vejo muitas possibilidades de falar com aqueles que desejam ouvir, que não seja essa carta.
Uma carta ela sempre resume de forma simplificada um sentimento, pois somente aquele que vive tal momento pode compreender, mas, espero que compreendam pelo menos a intenção que se desnuda em cada palavra.
Todo o acontecimento presente ainda me causa espanto e surpresa. Espanto porque nunca imaginei que as coisas iriam tomar tamanha proporção e surpresa porque nunca esperei uma atitude como as que estão sendo tomadas daqueles que, além de tem o meu endereço, o meu telefone celular e o telefone da minha própria casa. Tudo o que eu fiz ou falei, foi frente a frente com cada um dos interessados.
Mas, lamentar cada fato ocorrido não é minha tarefa, também não é meu objetivo com essa carta reclamar, protestar ou acusar. Sou músico, escritos, Psicólogo, professor e formador de comunidade terapêutica. Trabalho com pessoas que vem até a mim visando uma melhora daquilo que afeta suas vidas. São pessoas que confiam a mim sua própria existência. Dou palestras e retiros no Brasil e no exterior e em cada uma dessas conferencias vejo crescer o número de pessoas que confiam e acreditam naquilo que eu falo, e isso para mim sempre foi uma tremenda responsabilidade. Por isso, se algum dia eu tiver que trair a confiança dessas pessoas e principalmente dos meus amigos, eu não tenho duvidas, eu prefiro estar preso do que ter que ver o rosto de decepção de cada um deles para comigo. Por isso, eu agradeço a Deus porque percebo que a confiança deles ainda mais neste momento que há sempre margem para duvidas tem sido simplesmente maravilhosa. É o que da força e animo para continuar as lutas dessa vida. Por isso, sinto que devo a eles minha própria vida e nunca me achei no direito de decepciona-los. Deste modo, minha única defesa neste momento, será essa carta. Não preciso provar aquilo que sou para aqueles que dizem o que eu não sou. O que anseio então com essa carta? É simplesmente agradecer.
Em primeiro lugar, quero agradecer de coração sincero a todos os funcionários da AMA pelo enorme carinho e compreensão com que me acolheram até a presente data. O acolhimento de vocês foi algo para mim nobre e edificante. Especial. Desde aos agentes operacionais, educadores até as cozinheiras, todos foram pessoas importantes e que muito me ajudaram nesse inicio de gestão.
Agradeço de forma especial as gerentes e equipe técnica com quem trabalhei de modo mais próximo. Sem duvidas, ficou o aprendizado da convivência e do profissionalismo exercido. Agradeço pela convivência, pela ajuda dispensada e orientação quanto as duvidas sempre presente. Preciso também agradece-los por terem agido, enquanto eu estava presente, sempre com muito respeito, dignidade e clareza.
A prefeitura de São Paulo, de modo especial a Cida Pavão, a Mirian, a Solange a Tereza eu tenho muito a também agradecer. Primeiro porque aceitaram sempre um dialogo aberto conosco e não nos abandonou frente a falta de experiência e conhecimento. Certamente, o fantasma construído logo no inicio da gestão não se concretizou com aquilo que vimos e experimentamos da atitude de cada uma de vocês. Obrigado.
Por fim, quero agradecer aqueles que não tenho palavras para descrever o que significam neste momento de inexplicável agonia de decepção. Quero agradecer a diretoria da AMA, pela confiança, pela insistência na justiça, pelo respeito a cada palavra, pelos inúmeros momentos em que eu presenciei e me encantei com o modo como trabalhavam e pelo exemplo pois vejo que mesmo em um momento como este vocês se portam como pessoas dignas, que não se rebaixam e que continuam com a cabeça erguida e mais que isso, continuam dando para mim uma grade exemplo. Peço, as minhas mais sinceras desculpas por ter convidado a cada um de vocês a fazer parte dessa luta e agradeço por continuar sonhando, mesmo diante de tamanha injustiça, por um mundo mais humano e justo. O silencio, o tempo, a justiça, certamente cuidara de tudo o que esta acontecendo. A verdade nunca fica oculta para sempre. Obrigado por vocês existirem e por serem para mim um motivo de orgulho.

A nova diretoria que parece ter sido escolhida segundo informações não oficiais, desejo uma boa sorte, um bom trabalho e muito sucesso em cada um dos empreendimentos a serem exercidos. Independente de quem esteja a frente dessa instituição o mais importante é que continuem fazendo todo o possível para o bem estar e vida de cada uma dessas crianças, os tesouros da Associação Maria Auxiliadora.

Assim, peço desculpas se ofendi alguém de alguma forma e fico a disposição para aqueles que desejam ainda sanar ainda alguma duvida com relação a minha conduta. Mas, não posso pedir desculpas pelo atual momento, e em breve, com seus próprios olhos, poderão tirar cada um suas próprias conclusões.

Um abraço a todos, fiquem com Deus.

Adriano Oliveira

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Uma borboleta

Uma vez, perguntaram para uma borboleta se ela não sentia raiva por sua vida curta e aparencia frágil. Ela respondeu:

Não. Sempre vejo meu reflexo sob as aguas..

Adriano Oliveira

Mostra de dança Evangelizarte

Apresentei no ultimo sabado a II Mostra de Dança do Projeto Evangelizar-te. Há uma caracteristica especial no artista que dança: ele parece viver aquele momento como se fosse o ultimo.

Há um sorriso presente em cada rosto e uma determinação em cada atitude. A preparação, os exercicios, a roupa correta, o movimento certo, a sincronia e ainda conseguem um tempo para admirar aqueles que realizam a mesma missão.

A mostra se torna uma escola de aprendizagem para qualquer situação da vida. É o movimento errado que provoca a queda, o movimento certo que arranca aplausos, a angustia e o nervosismo da entrada no palco e, as lagrimas. As lagrimas dos dançarinos é algo belissimo de se apreciar..é a comemoração silenciosa de sua conquista e realização. É o extase do esforço que valeu. É a alegria de ter ido além do que essa nossa realidade consegue compreender..

Um abraço

Adriano Oliveira

O congresso Latino Americano em Buenos Aires

Um encontro realmente especial. Fui muito bem recebido e deu para manter dialogo com muitos músicos e artistas que vieram de diversas regiões da Argentina e de outros países. Percebi no encontro uma realidade muito próxima quanto a música católica brasileira da que cerca países como a Argentina, Colombia e o México. Os problemas enfrentados hoje quanto evangelização através das artes parece ter um aspecto global pelo menos na realidade da américa latina. Deste modo, acredito que alternativas para os problemas hoje vivido entre os artistas brasileiros podem ser comungados com nossos paises vizinhos que passam por situação semelhante. Mas, há uma caracteristica Brasileira a distinguir: ainda temos grandes eventos de música católica com qualidade. Mas, sem o devido cuidado, este dado pode virar apenas um acontecimeto que remete ao passado...

Um abraço

Adriano Oliveira

domingo, 11 de outubro de 2009

Somos Cantores

Os anjos cantam...Cantam alegremente por mais uma vida que surge na Terra. A família canta de alegria pela maravilhosa criança que acaba de nascer. Os pais cantam algo para a criança, canções de ninar, canções para comer, enfim, cantam...

A criança vai crescendo, e aos poucos, começa a murmurar algumas "musiquinhas", formando momentos inesquecíveis para os pais. Com o tempo, a criança começa a aprender e a cantar canções próprias sua fase, musicas que auxiliam a brincar, divertir-se, próprias da fase da pré-escola.

Com o passar dos anos, a criança muda um pouco a tendência, e passa a cantar músicas mais ritmadas, com letras um pouco mais desenvolvidas, mas, com a mesma inocência de outrora. Tudo é música para ela, seja rock, samba, axé, forró, etc....

Vem enfim a adolescência, o repertório se transforma, o que antes era procurado agora é ignorado, e aquilo que pode ser ignorado pelos adultos são por eles procurado. A música passa a ser um código, uma referência, algo que está constantemente na vida do adolescente. Cria-se os gostos musicais, as tendências prediletas, a aproximação de grupos que tem o mesmo gosto e, a identificação com grupos e cantores, gerando assim, a criação dos conhecidos "ídolos". Nascem os fãs. Essa fase, tem influência decisiva em vários aspectos que formarão o jovem.

O jovem por sua vez, possui seu ritmo ou ritmos diferentes. Não é mais criança, não é mais adolescente. Ele ouve, ou melhor, curte a música dos jovens. Música que muitas vezes acompanha moda, tendências, pensamentos e filosofias de vida. Nasce a chamada "minha música" ou música predileta, aquela que é especial, a que marca momentos, encontros, acontecimentos. A música que lembra algo ou alguém.

Vem assim a fase adulta e com essa fase as lembranças são inevitáveis. Em alguns casos o repertório também é mudado, ou melhor, é mantido, sendo que o que pode estar mudando são as tendências musicais, o repertório que era atual passa a ser considerado pelos jovens como ultrapassado. O adulto tem suas canções mais bem classificadas, elas se ligaram a sua história de vida, e se encaixam dentro de um contexto. Cantam assim para matar a saudade, para recordar, para expressar algo. É claro, para também se divertir e entreter. O adulto, não é aquele que não aceita o que é novo, é aquele que não rejeita aquilo que é parte dele, e assim, não pode esquecer de músicas, ritmos e tendências que lhe foram tão importantes. Eu diria, que o adulto tem um repertório maior, por isso, pode fazer mais escolhas.

Assim, vem a terceira idade, a nova tendência musical nesta fase não terá o mesmo efeito. A música de outrora ocupou muitos lugares de seu coração, e por isso, são naturalmente melhores. Sempre há espaço para o novo, mas este novo pode na maioria das vezes apenas acrescentar, muito dificilmente conseguirá substituir todo aquele repertório formado durante décadas. A música aqui também diverte, entrete, mas, certamente ela rejuvenesce, transporta para longe, traz um pouco do ar de outrora, gera algo em torno da saudade, leva as origens. Este idoso canta algo, mas, que vai além de uma simples canção, ela canta sua vida, sua história, sua origem, seus momentos.

A música identifica gerações. Ela atravessa as barreiras do tempo. A música é uma máquina do tempo. Por isso, ela é tão bela, tão maravilhosa e importante.

Por fim, chegará um dia, onde ouviremos, os anjos cantando alegremente, por mais um filho de Deus, que chega ao céu.




Adriano Oliveira


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A morte da Semente

A morte da Semente
01/09/2005 – Taboão da Serra - Cenáculo

Semente é assim mesmo. Tem que nascer. Tem que viver. É plantada, cresce, dá frutos. Tem que viver, mas precisa morrer. Para que novas sementes possam nascer. Para que a colheita se renove. Pois o solo já é mais fértil.
Uma década passou e de novo eu volto ao lugar da primeira plantação. E que alegria. Os espaços parecem falar por si mesmo. Inesquecíveis momentos onde juntos éramos plantados na fértil e doce terra do coração de Deus.
Mas o tempo precisa continuar e a pura e pequena semente inevitavelmente, crescer. Vira planta. Uma planta diferente das outras. Dela sai um perfume especial. Uma fragrância dos céus embelezando o jardim terreno. Mas pobre planta, vai aos poucos percebendo os riscos do crescimento, e que riscos. O vento bate mais forte, a chuva parece machucar mais. Sofre com os predadores e ainda assim precisa continuar a crescer, apesar das marcas. Contudo, a planta é fruto da semente bem cuidada e que tem um objetivo claro. E, inevitavelmente, o que era semente e tornou-se planta agora é arvore. Uma bela arvore.
Arvore frutífera. Frutos abundantes ela derrama. Não para de crescer. Não para de amar. Não para de sofrer. Crescer dói, dar furtos também. É vida gerando, é o ciclo renovando. Frutos que caem em terra boa e viram novas sementes. Frutos que caem em terra ruim, e morrem. Frutos que saciam a fome. Frutos que alargam o coração. Assim foi a nossa semente.
O importante, é que ela completou o seu ciclo. Nasceu, cresceu e deu frutos. Estes, livres para escolher o tipo de frutos que também querem ser e dar. A essência da boa semente ficou, as lembranças também. A semente, a planta, a arvore, se foi. A semente precisou morrer. Mas cumpriu a sua missão. Sabemos, porém, que é forte é aquela semente que morre sim, mas que morre pra ressuscitar.


Sobre o grupo de Jovens Semente Comunidade São Geraldo Paróquia Santa Rosa de Lima
Diocese de São Miguel paulista

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quem és tu Senhor?

Quem és tu Senhor que permite que de ti duvide?

Quem és tu senhor que não me interrompe quando eu te nego?

Por acaso não estás ai?

Ouve-me?

Mas tu és eu sinto, tu és.

Talvez não como eu pretenda, mas como és.

Tu estas

Onde não estou

Aonde eu não vou

E onde eu não sou

Por que tu és

Eu sinto e sei que és

E mesmo que eu disso chegue a duvidar

Ainda assim saberei

Que independente de mim

Tu és



escrito por: Adriano Oliveira

terça-feira, 28 de julho de 2009

A morada do amor

O amor é a maior tentativa de felicidade que podemos nos empreender.
Ele é mais que uma pessoa, é significado de vida. Ele une, integra, comunga
O amor é o belo sonho, e para alguns, a dura realidade. É o norte. É o objetivo mas também é o caminho. Ele é.

Ame e compreenderas, não busque compreender e amarás. Deixa ser o que precisa ser. Revista-se daquilo que busca e busque aquilo que merece te revestir. Dê a mão e corra o risco.

Solte teu coração como uma doce criança brincando entre as flores. Não temas espinhos, conheces o médico. Não deixe de buscar as leves e singelas folhas que já voam em sua direção. Abra tuas mãos, aceite e receba. Não deixe as mãos fechadas para o amor que te busca.

Vá ao encontro dele, mas perceba que ele já te deseja. Deseje-o. Permita-te dançar na sinfonia deste desconhecido que quer a ti se revelar, em ti ser e estar. Morar. Seja a morada do amor.

Adriano Oliveira

domingo, 19 de julho de 2009

O motivo do fracasso

Há alguns anos atrás eu perguntei para Deus. Senhor, qual o motivo do meu fracasso? E eu apenas o senti dizer. – Não desista. Continue.

Replanejei mais umas vezes minhas ações. Identifiquei onde poderia ter errado. Refiz escolhas e aperfeiçoei o caminho. Mas, uma vez mais o projeto foi fracassado. Insisti então na pergunta. Senhor, qual o motivo desse novo fracasso? E a resposta foi a mesma. –Não desista. Continue.

Pensei então que Deus poderia estar me castigando. Onde teria eu errado tão gravemente para tanto insucesso? Será que é um castigo de Deus? Então, busquei rezar mais, participar mais da igreja, pedir perdão mais vezes e entregar todos os meus projetos a Deus. Mais uma vez sonhei, rezei pelo sonho, coloquei nas mãos do Senhor cada detalhe. Contudo, os projetos não deram certo. Perguntei. Senhor, e agora? Qual o motivo desse novo fracasso? Não desista, continue. Foi a resposta.

Não queria mais continuar. Queria respostas. Obtive várias: castigo, tentação, o fato de não chegar a hora, falta de oração, destino, conseqüência, tempo de Deus, não merecimento, não é a vontade de Deus entre outras. Mas ainda não havia descoberto qual o motivo de tanto fracasso.

Então, determinado a continuar mais uma vez, elaborei o plano, o projeto. Percebi que era um projeto sincero e nutrido de um coração desejoso em fazer a vontade de Deus. Entreguei os projetos na mão de Deus e lutei com todas as forças que me era possível para tal realização. Mais uma vez porém eu encontrei o fracasso e consequentemente a resposta: - Não desista. Continue.

Mas , será que é isso que o Senhor deseja? Que eu me torne a zombaria dos vizinhos e dos que estão próximos? Até quando Senhor terei o fracasso como companheiro? Clamo a ti, quando virá em meu socorro? E, mais uma vez ouvi a resposta: - Não desista, continue.

Talvez um dia eu compreenda, mas hoje, só me resta a vontade de não desistir e de continuar lutando. Pois, a cada novo momento, sinto que sou livre para decidir: declarar e ficar no fracasso ou acreditar e perseguir a vitória. Eu prefito Deus.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Recuperação e dependência química

Quase sempre quando nos perguntamos o porque uma pessoa torna-se um toxicodependente a resposta é norteada sempre por fatores que beiram o risco social, a atitude e vivência familiar, hereditariedade, influencia dos amigos, cultura , curiosidade entre outros. Tais motivos justificam-se principalmente quando analisamos a atual realidade social da juventude brasileira.
Entretanto, Elisabeth Lukas traz em seu livro Mentalização e Saúde, um dado referente a Alemanha datado de 1990 de mais de 3,4 milhões de pessoa que são tão dependentes do álcool que necessitariam de um tratamento que talvez nos seja cabível a alguma discussão. Dizia ela:

“ é justamente numa época de bem-estar social e econômico, quando o nível de frustração deveria ser mais baixo do que nunca, que o abuso de drogas e medicamentos elevou-se drasticamente,e a idade de iniciação do consumo de álcool e nicotina deslocou-se para a infância. Conclui-se assim que também não se consegue a estabilidade psíquica através de condições satisfatórias de vida”.

É claro que os fatores sociais tornam-se de certa forma um fator de risco a dependência toxiconomica como de outros diversos problema de nossa sociedade. Mas de que forma estamos trabalhando os fatores de proteção? Entre esses fatores, a logoterapia demonstra aquele que seria o fator principal: a busca de sentido da própria existência.
O que o ser humano quer em ultima análise não é a felicidade em si, mas um motivo para ser feliz, dizia Frankl. Um motivo que favoreça ao ser humano sair de si mesmo, transcender. Sem essa transcendência pode acontecer de, criar-se um vinculo de “egoísmo próprio” onde a capacidade de relação com o outro será quase nula. Para essa busca de sentido é preciso resgatar neste dependente a vontade.
Na recuperação, certamente há de se encontrar tantos fatores de riscos quanto fatores protetores. Terá maior força e eficácia para a recuperação aquele para o qual se dirigir a vontade de quem se recupera. Contudo, a vontade por encontrar um sentido para a própria vida é ainda um fator que supera qualquer outro aspecto por ser uma característica inerentemente humana. Deste modo, pode-se continuar enumerando os fatores que são problemáticos a manutenção da dependência, ou , pode-se buscar o encontro com o sentido da própria vida, que não elimina os fatores de risco, mas certamente favorece a transcendê-los.

Adriano Oliveira

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Carta aos Jovens da Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Carta aos jovens da paróquia Nossa Senhora Aparecida

Em primeiro lugar quero agradecer de coração toda ajuda, apoio e companhia que tenho recebido de cada filho dessa paróquia. Quero também dizer que após esses 5 anos eu estou retornando a paróquia de Santa Rosa de Lima e muito feliz por tudo aquilo que presenciei. Por isso, quero agradecer de coração a todos aqueles que para mim foram fundamentais durante todo este tempo, desde o próprio Pe Jéferson com sua constante confiança e pessoas como a Zaninha, a Meg, O Marcelo, O João Paulo e família, a Vanessa e como conseqüência todos os amigos que formei dentro do Encontro de Jovens com Cristo, que sem duvida marcou profundamente o meu coração e a minha experiência com Deus. Obrigado a todos.

Fiquei muito feliz e extremamente edificado em ver a forma madura e sensata como trataram até agora essa problemática do EJC. Buscaram o dialogo, uma solução e principalmente não se acovardaram diante daquilo que aparentemente era contrário. Talvez, seja o momento de perceberem e se perguntarem: onde pairou a evangelização em todo este contexto? Jovens evangelizando jovens, acredito que este clamor se fez vivo e presente. Olhem para vocês mesmos e percebam como cresceram. Olhem para tudo aquilo que tiveram que enfrentar e mesmo assim continuam professando a fé universal de nossa igreja. Por favor, não perderam. Foram maravilhosos. Se superam. Transcenderam. Acreditaram mesmo quando tudo mostrou-se contrário. A fé agora desnuda-se mais madura em cada coração.

A igreja precisa de vocês. A igreja tem saudade de jovens como vocês e é solidária a dor que hoje sentem. Em cada diocese que tenho a oportunidade de passar, em cada paróquia que visito, vejo o esforço de muitos pastores que lutam e dão a vida para fazer com que a igreja tenha este rosto juvenil presente em cada um de vocês. Olhem para esses pastores como exemplo. Sejam missionários. Vocês ainda são a esperança da igreja que luta por aquilo que acredita e não foge diante do questionamento e contradição. Não. Não falo por mim apenas. Falo em nome de tantos sacerdotes que não haveria como enumera-los. Em nome de cada caro missionário que neste momento ofertam sua vida em terras tão distantes que apenas nossos pensamentos e orações podem alcançar. Em nome de cada irmão que vive no silencio dos desertos e montanhas, rezando diariamente para que pessoas como vocês não desistam de nossa igreja, de nossa fé.

Busquem as águas profundas. Sejam ousados na fé. Deixem-se levar pelo vento. Permita-se guiar pelo Espírito de Deus. Não tenham medo de serem conduzidos as águas que lhes permitam uma pescaria abundante e farta. O vento sopra onde quer. Não se contentem em pescar no raso. Não aspirem a segurança do porto. Busquem o alto. O centro. O profundo. Avancem para as águas profundas. Vejam, o mar é imenso e nele, não há limite.

Assim é também o coração do jovem, ansioso e sedento em ir além. Repleto de projetos e sonhos. Quem pode impedir este belo coração de ir atrás de seus mais sublimes sonhos e ideais? O desejo no Cristo, só pode vir do próprio Cristo. Busque-o onde ele se revela, encontre-o onde ele permita-se encontrar. Deixem-se curar pelo doce coração de Jesus. Apenas um coração chagado é capaz de entender outro coração chagado. E Jesus tem esse coração. Una o teu ao dele. Nessa intimidade, permita que o mestre lhe sopre e lhe mostre a beleza de seu projeto e de seu caminho.

Busquem os pés como de corças nos lugares altos. Anseiem por esses lugares altos onde os lobos não podem chegar. Lance-se nesse profundo vôo de abandono na misericórdia e esperança divina. Não voem em direção a rocha, voem por além dela. Deixem-se atingir pela graça de Deus. Gratuita graça que independe de nossas ações e vontades e de qualquer instituição. É a graça plena e derramada do trono do cordeiro a cada um daqueles que nele espera. Apenas voem e as outras aves hão de querer aspirar também os lugares altos.

Mais pode a graça. Sejam gratos. Animen-se. Se a fé de vocês ainda está viva é porque o próprio Cristo os consola. Descansem nele. Não busquem a pressa, o imediatismo.
Plantaram? . O agricultor faz o seu trabalho, e a terra o dela.
Admirem-se. Alegrem-se. O exemplo de vocês é eterno. Congratulem-se porque foram firmes e dóceis. Ágeis e cordeiros. Se precisarem ir a cruz, então aceitem ir como o Cristo ou como centenas de santos de nossa igreja, sem reclamar da sorte. Sem achar-se o melhor. Apenas sigam os passos de Cristo.

Por fim, obrigado pela oportunidade maravilhosa de aprender com o exemplo, que cada um de vocês mostraram a mim e a cada um daqueles que quiseram enxergar tamanho testemunho. Não é guerra, não há vencedor. Não há perdedor. Há apenas jovens que tem o dom de sonhar e que poucos no mundo souberam entender tal ímpeto. Vocês ressuscitam o espírito dos grandes místicos e santos, que não se conformaram em ver a “morte” do jovens na própria igreja como dizia Dom Luciano Mendes. Tenho muito orgulho de ter vivido tamanho anseio junto com vocês. Sem duvida alguma, vocês são a Riqueza Singular aos olhos de Deus. Jóia rara presente no mundo e em nossa igreja. Diamantes que nem mesmo a sujeira da terra pode apagar o brilho.

Um abraço a todos, com carinho.

Adriano Oliveira
Dica

sábado, 4 de julho de 2009

Carta aos jovens da paróquia Nossa Senhora Aparecida

Em primeiro lugar quero agradecer de coração toda ajuda, apoio e companhia que tenho recebido de cada filho dessa paróquia. Quero também dizer que após esses 5 anos eu estou retornando a paróquia de Santa Rosa de Lima e muito feliz por tudo aquilo que presenciei. Por isso, quero agradecer de coração a todos aqueles que para mim foram fundamentais durante todo este tempo, desde o próprio Pe Jéferson com sua constante confiança e pessoas como a Zaninha, a Meg, O Marcelo, O João Paulo e família, a Vanessa e como conseqüência todos os amigos que formei dentro do Encontro de Jovens com Cristo, que sem duvida marcou profundamente o meu coração e a minha experiência com Deus. Obrigado a todos.

Fiquei muito feliz e extremamente edificado em ver a forma madura e sensata como trataram até agora essa problemática do EJC. Buscaram o dialogo, uma solução e principalmente não se acovardaram diante daquilo que aparentemente era contrário. Talvez, seja o momento de perceberem e se perguntarem: onde pairou a evangelização em todo este contexto? Jovens evangelizando jovens, acredito que este clamor se fez vivo e presente. Olhem para vocês mesmos e percebam como cresceram. Olhem para tudo aquilo que tiveram que enfrentar e mesmo assim continuam professando a fé universal de nossa igreja. Por favor, não perderam. Foram maravilhosos. Se superam. Transcenderam. Acreditaram mesmo quando tudo mostrou-se contrário. A fé agora desnuda-se mais madura em cada coração.

A igreja precisa de vocês. A igreja tem saudade de jovens como vocês e é solidária a dor que hoje sentem. Em cada diocese que tenho a oportunidade de passar, em cada paróquia que visito, vejo o esforço de muitos pastores que lutam e dão a vida para fazer com que a igreja tenha este rosto juvenil presente em cada um de vocês. Olhem para esses pastores como exemplo. Sejam missionários. Vocês ainda são a esperança da igreja que luta por aquilo que acredita e não foge diante do questionamento e contradição. Não. Não falo por mim apenas. Falo em nome de tantos sacerdotes que não haveria como enumera-los. Em nome de cada caro missionário que neste momento ofertam sua vida em terras tão distantes que apenas nossos pensamentos e orações podem alcançar. Em nome de cada irmão que vive no silencio dos desertos e montanhas, rezando diariamente para que pessoas como vocês não desistam de nossa igreja, de nossa fé.

Busquem as águas profundas. Sejam ousados na fé. Deixem-se levar pelo vento. Permita-se guiar pelo Espírito de Deus. Não tenham medo de serem conduzidos as águas que lhes permitam uma pescaria abundante e farta. O vento sopra onde quer. Não se contentem em pescar no raso. Não aspirem a segurança do porto. Busquem o alto. O centro. O profundo. Avancem para as águas profundas. Vejam, o mar é imenso e nele, não há limite.

Assim é também o coração do jovem, ansioso e sedento em ir além. Repleto de projetos e sonhos. Quem pode impedir este belo coração de ir atrás de seus mais sublimes sonhos e ideais? O desejo no Cristo, só pode vir do próprio Cristo. Busque-o onde ele se revela, encontre-o onde ele permita-se encontrar. Deixem-se curar pelo doce coração de Jesus. Apenas um coração chagado é capaz de entender outro coração chagado. E Jesus tem esse coração. Una o teu ao dele. Nessa intimidade, permita que o mestre lhe sopre e lhe mostre a beleza de seu projeto e de seu caminho.

Busquem os pés como de corças nos lugares altos. Anseiem por esses lugares altos onde os lobos não podem chegar. Lance-se nesse profundo vôo de abandono na misericórdia e esperança divina. Não voem em direção a rocha, voem por além dela. Deixem-se atingir pela graça de Deus. Gratuita graça que independe de nossas ações e vontades e de qualquer instituição. É a graça plena e derramada do trono do cordeiro a cada um daqueles que nele espera. Apenas voem e as outras aves hão de querer aspirar também os lugares altos.

Mais pode a graça. Sejam gratos. Animen-se. Se a fé de vocês ainda está viva é porque o próprio Cristo os consola. Descansem nele. Não busquem a pressa, o imediatismo.
Plantaram? . O agricultor faz o seu trabalho, e a terra o dela.
Admirem-se. Alegrem-se. O exemplo de vocês é eterno. Congratulem-se porque foram firmes e dóceis. Ágeis e cordeiros. Se precisarem ir a cruz, então aceitem ir como o Cristo ou como centenas de santos de nossa igreja, sem reclamar da sorte. Sem achar-se o melhor. Apenas sigam os passos de Cristo.

Por fim, obrigado pela oportunidade maravilhosa de aprender com o exemplo, que cada um de vocês mostraram a mim e a cada um daqueles que quiseram enxergar tamanho testemunho. Não é guerra, não há vencedor. Não há perdedor. Há apenas jovens que tem o dom de sonhar e que poucos no mundo souberam entender tal ímpeto. Vocês ressuscitam o espírito dos grandes místicos e santos, que não se conformaram em ver a “morte” do jovens na própria igreja como dizia Dom Luciano Mendes. Tenho muito orgulho de ter vivido tamanho anseio junto com vocês. Sem duvida alguma, vocês são a Riqueza Singular aos olhos de Deus. Jóia rara presente no mundo e em nossa igreja. Diamantes que nem mesmo a sujeira da terra pode apagar o brilho.

Um abraço a todos, com carinho.

Adriano Oliveira
Dica

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dinheiro e dependência química

O dependente químicos de posse do dinheiro sofre de uma dupla dependência: do consumo social e da própria dependência química/psicológica das drogas.

Dizia Erck Froom que o homem viveu 2 revoluções industriais. Na primeira houve a substituição da energia animal pela mecânica, do vapor, do petróleo pela eletricidade. Na segunda, o pensamento humano esta sendo substituído pelas maquinas, pela automação. O homem tem se tornado simplesmente um ser que consome. Froom, ainda aponta que o homem não é mais o núcleo do mundo, tudo gira em torno do consumo que este proporciona. Por este motivo, o homem sofre de uma ansiedade consciente, perdeu sua posição de centro do mundo, houve uma profunda transformação moral que lhe arrancou as bases de segurança até então fixas como a religião. A essa ansiedade, a maioria das pessoas vivem de forma passiva. Para citar o que esta se tornando essa força de consumo na sociedade atual, Froom cita o seguinte exemplo: “uma pessoa que não comprar um automóvel novo a cada 3 anos é uma pessoa rara, e dentro de alguns anos se dirá que é muito pouco patriota porque causa danos a economia”.
Froom, não diz que o consumo seja mal, sua critica se refere a atitude inerente do consumo de hoje, a atitude do consumidor que é a de um homem ansioso, com uma obsessão por consumir. Tudo no mundo se transforma em artigo de consumo: cigarros, bebidas, sexualidade, televisão, conferencia, livros etc. O homem está se convertendo em um homo consumens, um homem que tem somente uma paixão, a de consumir mais e mais. Froom, aponta ainda outra possibilidade para a sociedade ansiosa, o refúgio no álcool e nas drogas.
Entretanto, sem pretender entrar nos pormenores que envolvem o inicio de uma dependência, é preciso considerar que além dessa influência social para o consumismo que por si caracteriza status e poder, o dependente de álcool ou drogas passa a ter outros níveis de influencias específicas, como a dependência desenvolvida em um nível fisiológico, psicológico.
Porém, a experiência do cotidiano e as próprias pesquisas cientificas atuais confirmam: um dependente , em sua fase critica, não consegue controlar sua vontade de uso das substâncias que lhe causam dependência. Neste sentido, ele usa de todos os meios possíveis para ter seu objeto de consumo, a droga ou a bebida. Para tal fim ele realiza, dependendo de sua condição social de compra, furtos, roubos ou outras desonestidades. Deste modo, quando este individuo está de posse de alguma quantia em dinheiro, ou algo que o represente, estamos diante de um problema de dimensões complexas. Isso porque este dependente agora, está de posse daquilo que represente o poder da atual sociedade, o dinheiro.
O dependente, em posse do poder, do dinheiro, além da dependência psíquica e fisiológica que a droga provoca possui também um impulso e uma necessidade natural de consumir, de gastar, que é próprio de nossa sociedade. O problema particular de sua situação é, que neste caso, essa força de consumo e de compra canaliza-se completamente em direção as drogas. Este consumismo, transforma o imoral em moral, o racional em racional, o feio em belo. Determina isso quem tem o poder.
Deste modo, temos a influencia de 3 aspectos diferentes e interligados no problema da manutenção de dependência: o fisiológico, o psicológico e o social. Em outras palavras, essa necessidade de consumo, partindo do pensamento de Erick Froom, exerce grande influencia também em um dependente químico que já sofre de outras dependências.
Assim ,se faz necessário olharmos com o devido cuidado para a forma como este individuo que sofre com a dependência compreende e lida com estes aspectos que estão presentes na sociedade que ele está inserido. Isso porque Erick Froom identifica que um dos riscos e perigos do homem do futuro está em que os homens se convertam em robôs e maquinas, e as maquinas não se rebelam.
Se quisermos favorecer para que o homem encontre ou ao menos busque a liberdade, se faz necessário contribuir para que ele tenha a capacidade de compreender que a única esperança de uma sociedade, não pode ser a de ganhar mais dinheiro, que é o mesmo que consumir mais. A compreensão deste sistema que a cada dia mais o desumaniza é um fator de fundamental importância para que o consumismo possa ter uma influencia cada vez menos decisiva na manutenção da dependência.

Adriano Oliveira

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Encontro de jovens com Cristo

O encontro de Jovens com Cristo – EJC- entrou em minha vida em um momento muito especial. Lembro-me que tinha apenas 14 anos de idade, estava rodeado por amigos e vivendo uma experiência que sem dúvidas marcou de forma definitiva toda minha vida. Era o início.
Os detalhes revelavam algo, a experiência me confirmava. Era a dúvida de um adolescente que se unia a uma busca que já habitava em meu coração. Havia uma tradução deste meu coração daquilo que acontecia durante todo encontro. Eu sentia: sim, é o que busco.
Reposta talvez não tão consciente do que significava acolher a experiência do outro e querer vivê-la, mas sem dúvida animadora e determinante. Os passos, desde então trilharam pelos caminhos iniciados naqueles três dias. Inesquecíveis.
Emoção e alegria, certeza e saudade. Os sentimentos foram aos poucos criando um rosto, uma fisionomia, uma característica. O meu rosto, a minha fisionomia, minha característica.
Hoje, 14 anos depois, percebo que aqueles três dias estão tão presentes em minha memória como se fosse algo que ocorreu no dia de ontem. Os passos se fundaram, estruturaram. Os caminhos se abriram, os pés se cansaram e descasaram. Teorias surgiram, experiências aconteceram. O andar foi hora apressado, outra, tranqüilo.
Mas, hoje, olhando para toda essa vivência, concluo sem medo ou receio de errar: eu tive um Encontro com Cristo ainda em minha adolescência e que serviu como ponto de partida para toda missão que atualmente realizo. Olhando para toda essa evidência, a certeza que fica é que, hoje, quero continuar caminhando por águas ainda mais profundas. Pra voltar, não quero, já não dá mais.

Um elogio a minha amada

Sim. Ela é maravilhosa. O que são nossas desavenças diante de tamanho amor? De fato, reconhecer o amor que se consolida nessa relação se torna o fundamento de tão bela experiência.
Teus erros refletem o limite de minha condição. Teu amor reflete o meu maior desejo e aspiração, Deus.
Amada minha amada, como te quero. Desejo, que todos compreendam que tuas inúmeras vozes não é maior que teu silencio. E que tuas ações, revelam aquilo que mente humana jamais compreenderá. Estás onde ninguém deseja estar, acolhe aquele que ninguém busca acolher. Morres no silencio. Sofre no anonimato. Vives mesmo diante do barulho. Ensina aquilo que é considerado absurdo pela nossa sociedade, e preserva os caminhos do coração de Cristo para aqueles que se permitem acolhe-lo. Não impões, propõe. Não exclui, ama. Teu maior ideal se mescla com o meu maior sonho.
Como é bela é minha amada.

Adriano Oliveira

domingo, 10 de maio de 2009

Uma critíca a Minha Amada

Uma critica a minha amada

O povo. O pobre. Penso nele e fico penalizado, sentimento ruim de sentir não? O dinheiro é escasso, as obrigações, duras. O levantar é cedo.
As noticias para ele não são boas. Se há um crime ou um problema, a culpa quase sempre é do mais pobre. O preconceito existe. Ele, habita nos lugares mais distantes das cidades e dos grandes centros. Vive a margem.
Seu meio de transporte é escasso. Lotado. Degradado. Precário. Seu salário, na maioria das vezes indigno. O acesso a saúde é um caos. Procura médico, não encontra, se encontra, é porque gastou horas de espera. Marca exame, mas tem que contar com a sorte, a espera dura meses, ou anos. Nunca dias. O serviço é de qualidade questionável. Lhe resta a educação. Mas até mesmo essa lhe é negada. Um bom estudo precisa ser pago, e é caro. Um bom estudo publico gratuito, também custa caro.
O pobre então resolve pedir ajuda. Reza. Clama a Deus e o busca. De modo expressivo, os pobres buscam a Deus.
Um dia desses, um desses pobres, chegou até minha amada, caminhou um tempo com ela. Mas não agüentou. Um dia foi chamado de ladrão. No outro, minha amada o tratou com preconceito. Em outra oportunidade, ela o chamou de burro. O pobre se indignou, bracejou. Mas, assim como na sociedade foi obrigado forçosamente a engolir sua dor, minha amada é bem mais forte que ele. Por fim, ele questionou, não adiantou. Minha amada virou as costas pra ele, que continuou a sofrer, pela dor que minha amada causou. Eu? Sim, eu vi tudo isso. Durou anos. Vi cada detalhe. E olha, que sempre tive orgulho de ser católico...

Adriano Oliveira
adrianodefo@yahoo.com.br

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A QUEDA NA RECUPERAÇÃO DE UM DEPENDENTE QUÍMICO

A queda na recuperação de um dependente químico

Culturalmente, a queda possui muito mais atributos negativos do que fatores que nos leve a enxergar seus benefícios. Os pais de uma criança tem medo de que elas venham a cair quando começam a aprender a andar e por isso tomam diversos cuidados para que uma queda não aconteça. Do mesmo modo acontece ao se ensinar alguém a andar de bicicleta que ainda não possua essa habilidade.
Existe ainda o medo de se cair de determinada altura, como de uma escada por exemplo ou de um telhado. Esse medo de cair é justo e necessário pois é exatamente ele quem nos conserva o cuidado em cada ação. Neste sentido, o medo de cair pode ser útil para que isso não venha a acontecer. O grande problema é quando este medo torna-se o motivo para a não realização de uma ação, por exemplo, não se anda de bicicleta não porque não gosta ou não tem vontade, mas porque é perigoso, é o medo da queda.
Enxergando a queda por este aspecto, ela fatalmente será concebida como uma falha, um erro, e, ela de fato também representa isso. Mas, acredito que principalmente tratando-se de dependência química e recuperação essa queda precisa ser concebida sob outro aspecto. Queiramos ou não, a queda é parte do processo de recuperação de um dependente.
Um drogadicto ou alcoolista, quando decide assumir que é um dependente, dá o primeiro passo para sua recuperação. Depois disso ele precisa tomar várias outras decisões que irão afetar radicalmente sua vida,: parar o consumo, trocar os “amigos” e colegas ligados a dependência, hábitos e lugares etc... além de uma grande disposição psicológica para enfrentar as fases de abstinência. Um recomeço. Após essa fase, alguns procuram formas de tratamento: médicos, clinicas, comunidades terapêuticas, grupos de ajuda e apoio mutuo, ONGs entre outros. Ou seja, se um dependente em recuperação vier a cair, é porque ele já percorreu um considerável percurso em sobriedade e desconsiderar isso é favorecer o surgimento de traumas.
A queda mexe com o orgulho, está ligada a confiança que as pessoas ao seu redor e também ele próprio, dependente, põe em sua recuperação e, essa queda, coloca em xeque, em alerta e em duvidas sua abstinência. Quem super valoriza a queda a vera como o máximo do fracasso e da derrota, podendo inclusive esquecer que já superou este máximo de perda quando decidiu se recuperar. A queda, na dependência , não é boa, mas super valorizá-la pode significar o fim das forças de continuar lutando.
A vergonha, o orgulho ferido, a auto piedade, o desespero, o apego as criticas, nada disso pode ser companheiro daquele que anseia por levantar-se e continuar seu processo de recuperação. Sempre há uma justificativa para a queda, seja ela qual for, o importante é analisá-la com cuidado e tentar a partir dessa experiência com a própria queda encontrar um aprendizado para continuar caminhando. As cicatrizes e marcas da queda talvez continuem, mas quem olha fixamente apenas para elas, jamais entenderão e seguirão pelo longo caminho que se abre a sua frente, quando estão de pé;

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Contribuições da Logoterapia a favor da recuperação de dependentes químicos



A realidade diária de nossa sociedade nos coloca diante de diversas situações e problemas dos mais variados tipos: sociais, econômicos, religiosos, tecnológico, culturais etc. Dentre essa problemática, ganha cada vez mais espaço e evidência, no dia-a-dia das pessoas e também entre a literatura científica, a busca pelo sentido da vida. Não muito raro essa falta de sentido, pode proporcionar em um indivíduo uma verdadeira apatia diante da vida, desencadeando assim uma série de patologias de todas as ordens, principalmente a depressão e, não muito raro, o suicídio.
Diversos fatores podem contribuir para o fortalecimento dessa falta de sentido existencial: o desemprego, a morte de um ente querido, a violência, a separação etc., contudo, especificarei a presente análise em torno de um único tema de notável problema para a sociedade atual: a dependência química.
O consumo de drogas, e como conseqüência a dependência, tornou-se um problema crônico de caráter mundial. Hoje, lutar contra as drogas se tornou uma verdadeira meta do homem conteporâneo, pois o seu consumo está aliado não apenas aos riscos a saúde de quem a consome, mas está aliado a isso todo problemática global que a droga provoca. Isso porque, ter acesso a tais substanciais se tornou uma tarefa fácil, e que certamente corresponde a um risco, principalmente entre crianças, adolescentes e jovens.
Discorrer, sobre o porquê uma pessoa acaba caindo na dependência é algo que já tem sido demasiadamente explorado na literatura cientifica, tendo como principais evidências: a má formação familiar ou a desintegração da mesma, a união com amizades de má influencia, a falta de estrutura social, o pouco acesso a cultura, lazer e esportes, a falta de uma religiosidade, etc., ou seja, a falta de algo parece estar relacionada ao vicio. Pode-se aqui acrescentar, a falta de algo, ainda não denominado ou identificado, que, pode ser mais tarde percebido como a falta de sentido da vida. Entretanto, o principal motivo desta reflexão não é exatamente entender ou discutir os motivos pelo qual alguém se torna um dependente de algum tipo de substância, o objetivo aqui é apresentar algumas contribuições fundamentais para o seu auxilio e luta contra a dependência. Isso porque, nesses anos em constante entrevista com os usuários de tais substâncias, parece tomar corpo algumas características em comum dos drogadictos. A principal delas: os valores de sua vida se invertem e se direcionam para o alvo de sua dependência. Neste sentido, a Logoterapia pode ser de grande utilidade para essa recuperação.
Entende-se por logoterapia um modelo psicoterapeutico baseado nas experiências de seu fundador, o neurologista e psiquiatra austríaco Viktor Emil Frankl. A base dessa teoria constitui-se na busca pelo sentido da vida. Em outras palavras, para a logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa, é a principal força motivadora do ser humano.
Mas, já é de conhecimento geral a condição sub-humana em que muitas vezes se encontra um dependente, principalmente aquele que se encontram no chamado fundo do poço, ou seja, aquele que se tornou completamente dependente das drogas a ponto de se desfazer de bens e de utilizar qualquer meio para o consumo da mesma. Mas, até mesmo alguém nessa critica situação seria a Logoterapia por ele alcançada? Para o Dr. Frankl sim:

“Por piores que sejam as circunstâncias da vida, sempre é possível encontrar sentido na vida”.

Até mesmo na pior situação de dependência, é possível encontrar um sentido para a vida. Entretanto, e talvez seja essa uma das principais diferenças da logoterapia, não caíamos no equivoco de julgar essa fala acima descrita como um pensamento apenas teórico, isso porque a teoria construída pelo Dr. Frankl não foi elaborada em um escritório ou em uma confortável biblioteca. Essa teoria emergiu, da própria experiência que o Dr. Frankl teve como prisioneiro nos campos de concentrações nazista. Dessa forma, falamos de alguém, que em uma das piores situações em que pode viver o ser humano, conseguiu encontrar um sentido para a sua existência. Talvez, a primeira contribuição que um dependente em recuperação pode encontrar na logoterapia é saber, que até mesmo ele, pode e deve procurar perguntar sobre o sentido de sua existência.
Mas, seguindo as contribuições da Logoterapia, pode-se dizer que este sentido existencial não precisa ser dado, ele precisa ser encontrado, ser descoberto no mundo, e não dentro da pessoa humana ou da psique. É abrindo-se ao outro, a uma tarefa, a uma missão que há de se encontrar o sentido para o qual se vive. Isso não exclui de forma alguma do tratamento ou até mesmo da vida o caráter meditativo do crescimento interior, pelo contrário, apenas uma pessoa capaz dessa integração consigo mesma conseguirá buscar livremente o sentido de sua existência. Ou seja, a auto-realização depende dessa capacidade de auto-transcedencia, de sair de si mesmo em direção ao outro.
A dinâmica dos 12 passos, utilizada muitas vezes no auxilio a recuperação de alcoolistas e drogadictos, refere-se à meditação, reparação passada, compreensão dos danos causados, capacidade de admitir os erros, despertar o crescimento e maturidade etc. Neste sentido, a logoterapia se encaixa em perfeita harmonia como seqüência desses passos, pois a Logoterapia se concentra mais no futuro, ou seja, nos sentidos a serem realizados pelo paciente em seu futuro. Após os 12 passos, rompe-se o auto-centrismo, é hora de reorientar a vida para o futuro.
O Dr. Fraklil deixa algumas contribuições específicas para descobrir a busca pelo sentido da vida a partir de 3 diferentes formas:

1 - Criando um trabalho ou praticando algo
2 – Experimentando algo ou encontrando alguém
3 – Pela atitude que tomamos em relação ao sofrimento inevitável

Dentre aqueles que conseguem fielmente manter-se sóbrio em sua luta contra a dependência, encontraremos quase sempre, pessoas que encontraram algum trabalho para realizar, alguns, dependendo do local em que ficou em recuperação, passam a contribuir nessa mesma causa. Em outros casos, o dependente em recuperação, agora sóbrio, pode novamente buscar e encontrar o verdadeiro sentido do amor. Não mais o amor egoísta, exploratório, interesseiro, mas aquele amor onde, ele próprio busca outro ser humano em sua originalidade. Buscando a beleza das coisas criadas, a bondade, a verdade, a cultura. Enfim, ele ama.
Contudo, independente de nossas opções, o sofrimento, algum dia, há de se aproximar e muitas vezes é o não aceitamento deste sofrimento que provoca a queda de muitas pessoas que ficaram abstênicas por algum tempo. São pessoas que não suportam o sofrimento que lhe aparecem e voltam a cair em seus vícios e, muitas vezes de forma ainda mais agressiva e acentuada. De acordo com as contribuições da logoterapia, é preciso estar preparado para encontrar um sentido na vida no próprio sofrimento. Quando já não somos capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós próprios.

Todas essas transformações de caráter objetivo na conduta da vida estão norteadas por duas máximas da Logoterapia: a responsabilidade do ser humano frente a sua vida e os valores que a norteiam.
O primeiro aspecto de responsabilidade é de grande importância e, ele vai acontecer de fato, quando o individuo compreender que, ele é capaz de direcionar sua vida para o objetivo que ele almejar:

“O ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele define a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja se insurgindo diante delas. Em outras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simplesmente, mas sempre decide como será sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte”.

Dessa forma, mesmo o resultado de uma drogadição por longa data, não pode ser o determinante para que a vida de tal pessoa continue sob um aspecto negativo. Existe muitas pessoas, que mesmo após o tratamento e recuperação, continuam se martirizando pelo vicio outrora empreendido, e não conseguem mais denotar sua vida de sentido. Esses são os mais propensos a uma recaída futura.
O segundo aspecto que pretendo mencionar é o dos valores. Na drogadição, o maior valor que o dependente crônico tem é a droga. Para este fim, todo esforço é realizado. Tudo se torna segundo plano, sua família, amigos de sobriedade, sociedade, cultura, política, profissão e, até mesmo sua própria vida. Mas, o que ele precisa, não é nem tanto desvalorizar as drogas, pois os seus prejuízos e problemas oriundos de seu uso ele já conhece bem, antes de tudo, o que ele precisa é, buscar os seus valores, e que talvez, a droga tenha-o impedido de enxergá-los. Isso significa que, o que ele necessita para sua plena recuperação não é apenas enxergar ou reconhecer os valores perdidos, e sim, revive-los. Talvez seja o valor do respeito e reconhecimento dos pais, da responsabilidade para com o emprego, do suor e cansaço do trabalho, dos valores da religião que professa, do valor que ele emprega a sua própria vida... O ser humano é capaz de viver e até morrer por seus ideais e valores.
Por fim, poderíamos concluir essa reflexão com outro tema relevante na obra de Victor Frankl, o supra sentido. Para um dependente, que realizou a escola dos 12 passos, este tema lhe é familiar. O Supra-sentido, diz respeito à concepção de que, este mundo visível, não é o ponto final de toda a existência. Abre-se assim, um espaço, para ser preenchido de acordo com os valores de crença que cada um traz e que já foi despertado na realização dos 12 passos. Tudo o que vivemos nessa Terra, não pode ser a ultima instancia.

Assim, aliado as vertentes da Logoterapia, que foi aqui de maneira muito breve mencionada, acredito que um dependente químico em recuperação pode se apoiar nas propostas aqui lançadas para edificar sua vida a partir dos princípios de uma terapia voltada para o sentido de sua vida. É preciso compreender que quem tem um porque, supera qualquer como. Uma análise logoterapeutica dessa recuperação pode contribuir de forma eficaz para que essa recuperação seja saudável e duradoura. A recuperação de um dependente deve levar em conta a reflexão dos atos passados, uma vez que são formados por situações que requer muito cuidado e acompanhamento. Mas, chega um ponto do tratamento, onde este indivíduo precisa começar a repensar sua vida, e isso irá acontecer de forma efetiva quando ele começar a buscar um sentido para a mesma. Acredito que é onde também a logoterapia poderá lhe oferecer a sua maior contribuição.


Adriano Oliveira
adrianodefo@yahoo.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2009


As notas musicais são como gotas de uma garoa
As belas gotas formam a chuva
As belas notas, a canção

A canção do coração

Busco a harmonia das notas
A sinfonia entre os sons
A afinação do instrumento
Em cada nota busco formar a canção

Busco a canção que vem de dentro
A canção que vem do povo
Que enobrece e enriquece
Que forma e transforma

A canção do coração