segunda-feira, 27 de abril de 2009

A QUEDA NA RECUPERAÇÃO DE UM DEPENDENTE QUÍMICO

A queda na recuperação de um dependente químico

Culturalmente, a queda possui muito mais atributos negativos do que fatores que nos leve a enxergar seus benefícios. Os pais de uma criança tem medo de que elas venham a cair quando começam a aprender a andar e por isso tomam diversos cuidados para que uma queda não aconteça. Do mesmo modo acontece ao se ensinar alguém a andar de bicicleta que ainda não possua essa habilidade.
Existe ainda o medo de se cair de determinada altura, como de uma escada por exemplo ou de um telhado. Esse medo de cair é justo e necessário pois é exatamente ele quem nos conserva o cuidado em cada ação. Neste sentido, o medo de cair pode ser útil para que isso não venha a acontecer. O grande problema é quando este medo torna-se o motivo para a não realização de uma ação, por exemplo, não se anda de bicicleta não porque não gosta ou não tem vontade, mas porque é perigoso, é o medo da queda.
Enxergando a queda por este aspecto, ela fatalmente será concebida como uma falha, um erro, e, ela de fato também representa isso. Mas, acredito que principalmente tratando-se de dependência química e recuperação essa queda precisa ser concebida sob outro aspecto. Queiramos ou não, a queda é parte do processo de recuperação de um dependente.
Um drogadicto ou alcoolista, quando decide assumir que é um dependente, dá o primeiro passo para sua recuperação. Depois disso ele precisa tomar várias outras decisões que irão afetar radicalmente sua vida,: parar o consumo, trocar os “amigos” e colegas ligados a dependência, hábitos e lugares etc... além de uma grande disposição psicológica para enfrentar as fases de abstinência. Um recomeço. Após essa fase, alguns procuram formas de tratamento: médicos, clinicas, comunidades terapêuticas, grupos de ajuda e apoio mutuo, ONGs entre outros. Ou seja, se um dependente em recuperação vier a cair, é porque ele já percorreu um considerável percurso em sobriedade e desconsiderar isso é favorecer o surgimento de traumas.
A queda mexe com o orgulho, está ligada a confiança que as pessoas ao seu redor e também ele próprio, dependente, põe em sua recuperação e, essa queda, coloca em xeque, em alerta e em duvidas sua abstinência. Quem super valoriza a queda a vera como o máximo do fracasso e da derrota, podendo inclusive esquecer que já superou este máximo de perda quando decidiu se recuperar. A queda, na dependência , não é boa, mas super valorizá-la pode significar o fim das forças de continuar lutando.
A vergonha, o orgulho ferido, a auto piedade, o desespero, o apego as criticas, nada disso pode ser companheiro daquele que anseia por levantar-se e continuar seu processo de recuperação. Sempre há uma justificativa para a queda, seja ela qual for, o importante é analisá-la com cuidado e tentar a partir dessa experiência com a própria queda encontrar um aprendizado para continuar caminhando. As cicatrizes e marcas da queda talvez continuem, mas quem olha fixamente apenas para elas, jamais entenderão e seguirão pelo longo caminho que se abre a sua frente, quando estão de pé;

Nenhum comentário:

Postar um comentário